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    O vôo que deu certo

    Entre os CD's guardados no quarto, um é especial. Não porque seja simplesmente de uma das bandas mais reconhecidas musicalmente em todos os tempos. Não apenas porque seja uma banda conceitual na vertente progressiva do rock, de modo psicodélico e experimental. Não só porque a capa do disco seja uma das mais imponentes, das mais belas, segundo revistas que entendem do assunto, e o álbum tenha sido um dos mais comercializados por 20 anos, vendendo cerca de 30 milhões de cópias em todo mundo.
    A banda preferida é Beatles. Se pudesse ter a oportunidade de conhecer alguém, seria Paul McCartney, o antigo baixista da banda inglesa da cidade de Liverpool. Mas, mesmo assim, aquele CD guardado e que remonta à infância é outro. É especial por dois motivos para o guitarrista santanense, de 22 anos, Alexandre Assis Brasil, da Banda Pública, de Porto Alegre: foi o primeiro presente que deu para seu pai, Leonardo Assis Brasil (in memorian) e o álbum que despertou a vontade de tocar guitarra.
    Mas o interesse pela música é genético, e Guri (apelido de Alexandre) reflete isso no sobrenome Assis Brasil. "Creio que esse interesse começou na infância por influência familiar. Meu pai era formado em acordeão e meus primos eram grandes instrumentistas que viviam no Rio de Janeiro. Um deles já tinha falecido. Então, criei um mito em cima dele e uma curiosidade enorme pela música. Aprendi violão com o meu pai e na escola de música do (colégio) santanense", recorda.
    É dos tempos na escola que Guri tomou gosto pela coisa. Tocou surdo na banda marcial e guitarra em um conjunto elétrico, com colegas e amigos da época. E não foi só isso:
    "Lembro de me apresentar fazendo a trilha sonora para um teatro tocando músicas de todas as regiões do país. Um bom aprendizado", afirma.
    Se, naqueles tempos, tocar sons de diferentes lugares do Brasil ajudou para o crescimento como instrumentista, atualmente, conhecer e tocar em alguns desses locais está ajudando a sua banda, que busca tornar-se mais pública do que já é.

    O primeiro vôo

    Em 2002, o Guri, de Livramento, partiu para Porto Alegre. Claro, a viagem não foi de avião, mas representou uma mudança significativa na sua vida e foi o começo para quem iria deslanchar na carreira de músico. Na faculdade (ele é formado em Publicidade e Propaganda pela ESPM), conheceu músicos e entrou na Supernova. Era o início de uma trajetória de sucesso e reconhecimento do trabalho. "Quando cheguei a Porto Alegre comecei a tocar numa banda chamada Supernova através de uns amigos de faculdade. Lá, eu conheci o Amaro, o pianista e um dos fundadores da Pública. Quando me mostraram o som eu fiquei louco porque era tudo o que eu queria fazer. Um dia, em uma viagem da Supernova, que por coincidência era para Livramento, o Amaro falou que a Pública estava precisando de guitarrista e logo me indicou. Foi batata, na outra semana tava na banda".
    A ida para o novo grupo foi a realização de um sonho para ele. Alexandre conta que muitas mudanças acontecerem com a Pública, que existe desde 2001. Exemplo é a sua entrada; quando ingressou, a banda tocava a metade do repertório de Polaris (disco lançado em 2006, pelo selo Mondo77, em São Paulo-SP). A medida do crescimento do conjunto foi o reconhecimento pela crítica desse primeiro CD. Com isso, a Pública foi alçando vôos cada vês maiores e tocou em festivais importantes em 2007, como o Bananada (em Goiás), Calango (em Cuiabá) e o MADA (no Rio Grande do Norte), sendo esse o primeiro grande festival que tocaram. "Foi um desafio tocar para mais ou menos 9 mil pessoas ao lado de bandas como Skank, Nação Zumbi e Paralamas do Sucesso" confessa.

    Voando para
    mais longe

    A qualidade do trabalho da Pública levou suas músicas para o rádio, o que tornou o grupo mais conhecido e respeitado. O prestígio, literalmente, possibilitou um vôo importante para a Pública em setembro do ano passado. A banda foi indicada para concorrer ao VMB MTV na categoria 'Aposta MTV'. O evento promovido, anualmente, pela emissora de televisão premia os destaques da música rock e pop nacional. A Pública não levou o prêmio, mas seguiu a caminhada de destaque no cenário do rock alternativo no Estado.
    Prova do calibre do conjunto foi a apresentação no Planeta Atlântida deste ano. "É uma coisa louca, um festival que desde pequeno o cara almeja tocar. Aquela coisa que parece um sonho e quando vê se torna realidade. Tocamos com muitas bandas de amigos. Ver o reconhecimento que o público tem com as novas bandas do Estado é incrível", salienta Guri.
    O destaque da Pública junto ao público demonstrou que os integrantes fazem parte de um time em que os setores funcionam em plena sintonia com alto grau de competência. Responsável pelos solos de guitarra, Guri se destaca pelos 'riffs' (trechos determinados e característicos de cada música) que misturam agressividade com melodia e experimentalismo com um pouco de psicodelia. Assim como aquele álbum lá que falamos no início da matéria, The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, uma das bandas de rock referência até hoje e que marcou a trajetória musical de Alexandre Assis Brasil.

    A Platéia: De início, quando tu começou a tocar, o que vislumbrava?
    Alexandre: Sempre tive a certeza que seria músico. Lembro dos meus colegas de colégio comentando isso e acontece até hoje. "Não te vejo em outra profissão". Não vislumbro muita coisa. Só reconhecimento do que eu a tempo luto, o que vem chegando aos poucos.

    A Platéia: O que significa pegar na guitarra e subir num palco pra tocar?
    Alexandre Assis Brasil: É a coisa mais emocionante que tem. Esse ano tocamos no Planeta Atlântida pela primeira vez. Ver aquele povo todo cantando a tua música não tem explicação. Lava a alma por um bom tempo.

    A Platéia: Quais as principais influências da banda?
    Alexandre: De (Frank) Sinatra a Black Sabbath.

    A Platéia: Do que fala a Pública. Que mensagem quer passar?
    Alexandre: Falamos do cotidiano, de amor, infância. Coisas comuns a todos. Talvez seja por isso que atingimos diversas faixas etárias. Das crianças aos mais velhos.

    A Platéia: Agora vocês devem gravar o segundo CD. O que espera das gravações, repercussão e dos novos repertórios nos shows?
    Alexandre: Estou muito empolgado. O disco vai ser bem mais maduro e vai mostrar uma nova fase da banda. Estamos também fechando com um produtor de renome e além do CD vamos lançar um DVD onde vamos documentar a gravação do disco. Coisa fina.

    A Platéia: Quais teus planos para o futuro agora?
    Alexandre: Que o vôo seja cada vez maior.











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