É importante
destacar a importância do anúncio
feito pelo presidente Lula durante a reunião
do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social - CDES, nesta terça-feira
(1º), que no prazo de 15 dias o governo
tornará pública a nova política
industrial para o país. Um dos objetivos
dessa medida será impulsionar as
nossas importações.
*
É urgente que o governo tome essa
atitude, já que a valorização
excessiva do real frente ao dólar
está fazendo com que o nosso saldo
em conta corrente seja negativo. Esse é
um indicador muito preocupante, pois está
afetando as exportações e
aumentando as importações.
Vejo a possibilidade do anúncio da
nova política industrial como muito
positivo e necessário. Espero realmente
que venha na direção de fortalecer
e dar competitividade a nossa indústria.
*
Ainda sobre a política industrial
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
está dizendo que a taxa de crescimento
sustentável do país deve ficar
entre 5% e 5,5% ao ano até 2010.
É sempre bom lembrar que em 2007
o crescimento foi 5,4% do PIB. O ministro
afirmou, nos últimos dias, que essa
capacidade de crescimento sustentável
deve se estender por 15 ou 20 anos. A nova
política industrial deve ser, sem
dúvida, um fator garantidor dessa
sustentabilidade.
***
Lentidão pode comprometer
Está prevista para esta quarta-feira
(2), a votação do parecer
do deputado Leonardo Picciani sobre a Reforma
Tributária na Comissão de
Constituição e Justiça
da Câmara. Três pontos da proposta
sofreram alteração: aumento
de 30 para 90 dias no prazo de entrada em
vigor do IVA; transferência da prerrogativa
de definir as alíquotas e o enquadramento
dos produtos no novo ICMS do Confaz para
o Congresso, Assembléias Legislativas
e governadores; e extensão da cobrança
do ICMS em 2% na origem para os estados
produtores de petróleo e energia
elétrica.
*
Como fiz questão de frisar em minha
fala na reunião do CDES, a Comissão
de Constituição e Justiça
não deveria entrar no mérito
da proposta, como o relator está
fazendo, e sim votar a constitucionalidade
da matéria. As questões de
mérito devem ficar a cargo da Comissão
Especial, que, por sua vez, já deveria
estar instalada e com relator definido.
O prazo de votação até
o final de junho fica cada vez mais difícil
de ser cumprido.
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Queda-de-braço no governo
A falta de entendimento, o radicalismo
e a má vontade do próprio
governo no que diz respeito às mudanças
da edição e tramitação
das Medidas Provisórias só
fazem aumentar o desgaste do Congresso Nacional.
Ao todo, são 12 MPs trancando a pauta
do plenário da Câmara e outras
oito no Senado. A queda-de-braço
entre parlamentares e governo não
ajuda em nada a melhorar a imagem do nosso
Congresso.
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Ameaça real de aumento na taxa de
juros
Nas palestras que fiz na segunda-feira
(31), em Porto Alegre, e nessa quarta-feira
(2), para a Federação Nacional
da Distribuição de Veículos
Automotores - Fenabrave, no Rio de Janeiro,
voltei a aletar para a possibilidade de
aumento da taxa Selic. As previsões
que vêm sendo feitas dão sinais
de que devem se confirmar: a próxima
reunião do Copom pode determinar
o aumento das taxas de juros. Cada vez fica
mais claro que, pelo conservadorismo histórico
do Banco Central, o Comitê deve adotar
essa postura.
*
O aumento da taxa Selic vai na contramão
do que se precisa neste momento. O complicador
dessa questão é a conseqüente
atração do capital especulativo,
já que, ao contrário do Brasil,
os Estados Unidos vem adotando a redução
das taxas de juros. É uma valorização
artificial da nossa moeda.
"A queda-de-braço entre parlamentares
e governo não ajuda em nada a melhorar
a imagem do nosso Congresso." Germano
Rigotto
rigotto@germanorigotto.com.br.
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