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    Speroto externa posições
    da Farsul sobre atualidade

    Rastreabilidade, exportação de gado em pé, política dos governos, inserção de lideranças ruralistas no setor político-partidário, entre outros temas, foram tratados pelo presidente da Farsul, Carlos Rivaci Speroto na última sexta-feira, quando de sua passagem por Sant’ Ana do Livramento. Ele atendeu aos representantes de veículos de comunicação e respondeu a todos os questionamentos, apesar da brevidade do horário. O presidente do sistema Farsul, que também preside o Conselho do Sebrae no Rio Grande do Sul, enfoca que a participação dos produtores rurais com formação técnica e realizando a defesa do agronegócio é essencial para o setor. “É perfeitamente normal, procedente, pois se nota que há espaços que não são bem ocupados. Quando há espaços bem ocupados é mais fácil o desenvolvimento de arranjos produtivos, a implementação de projetos eficazes, a realização de ações concretas em prol dos pequenos produtores. César Maciel não é o primeiro que postula o exercício de uma função majoritária, claro, isso depende de seu partido; mas o fato é que é legítimo, provém da classe ruralista, assim como outros produtores, técnicos, inclusive de nossa diretoria, os quais foram cedidos aos partidos, a pedido, como candidatos” - desenvolve Speroto.
    Falando em rastreabilidade e no momento da pecuária, Carlos Speroto deixou claro que há uma série de inverdades sendo veiculadas. “Por exemplo, essa história de que há boi no pasto e o criador está segurando o boi para aumentar preço, circula muito, mas não é fato. Não existe isso. Provém de indústrias frigoríficas que não querem pagar o preço que o animal vale e tentam forçar os preços para baixo. Isso não pode ocorrer. O que deve ocorrer, em um negócio, uma parceria, é o negócio ser bom para todos os envolvidos. Essa é a lógica” - pondera ele.
    A respeito da rastreabilidade e do Sisbov, Speroto disse que a Comissão de Bovinocultura de Corte da Farsul realizou reuniões para discutir a forma de tratar a questão da rastreabilidade a partir da vistoria da União Européia em propriedades gaúchas. Deixou claro que concorda com a identificação e certificação de procedência e origem, mas destaca que o produtor, além de ser ouvido, deve ter representação inserida no meio das decisões, pois é fundamental que elas sejam tomadas com o aval de quem conhece o trabalho, o sistema produtivo a campo.

    “Sugerimos um programa, um esboço e apresentamos ao secretário no que tange a rastreabilidade e estamos no aguardo apenas dessas nova realidade do Sisbov que deverá sair. Apresentamos ao secretário da Agricultura (José Carlos Machado) e ele gostou. Mas, nos mantemos no aguardo, até que se tenha como será o Sisbov, pois é importante que seja integrado, o plano já está desenhado. Não podemo contemplar este ou aquele, só o frigorífico, a indústria. Não gosto desse Eras, pois para mim é passado. Houve até infelicidade de escolher a sigla.” Speroto

    A Platéia - Municípios como Livramento, aliás, praticamente todos os municípios, com raras exceções, ficaram fora do fornecimento de carne para exportação, em função das questões do Sisbov e rastreabilidade. E agora?
    Speroto - Não só Livramento, mas o meu município, Santo Augusto, estão nessa situação. Temos só quatro que foram inseridos no programa. Isso traduz uma situação anômala que não reflete a realidade. Tivemos cautela ao tratarmos desse tema. Não é através da polêmica que vamos buscar soluções. A idéia não é abandonarmos esse processo e, sim, avançarmos e gradativamente buscarmos uma situação diferencial do resto do Brasil.

    A Platéia - Como?
    Speroto - Nós temos que ter uma visão de que dificilmente teremos um quadro sanitário ou de rastreabilidade único para o Brasil, com 22 milhões de cabeças de gado. Não temos condições de uniformidade e existem características peculiares de cada região. Como estamos fisica e geograficamente com o estado separado do Brasil, por termos Santa Catarina, hoje zona livre de febre aftosa, nos cria a possibilidade de sermos uma ilha de produção para criarmos mecanismos próprios e é o que estamos fazendo. Independente do sistema Sisbov estar passando por uma reformulação, um enxugamento das ações, onde as alterações devam vir no sentido de torna-lo mais praticável a nivel de propriedade. Estamos cumprindo a risca e inserindo mais propriedades, temos a ambição de levarmos nossa proposta e sabemos que os mercados, independente da Europa, podem ser potenciais compradores da nossa carne exigirão certificação de origem.

    A Platéia - Há inserção no processo?
    Speroto - Os produtores estão se inserindo no sistema e estimulamos, enquanto se aguarda que venham as adaptações necessárias. A rastreabilidade, como está ou de outra forma, mais simplificada, no nosso entendimento, é necessária. O clima interno na produção é de que os produtores estão convictos do que devem fazer. Estaremos inaugurando em breve programa de adequação e implementação. Não tememos, muito pelo contrário, temos a grande oportunidade de saltarmos na frente.

    A Platéia - E a sanidade?
    Speroto - Nos inseriremos na zona sem vacinação. Isso depende, porém, de uma simultaneidade com a Argentina e o Uruguai, pois nós temos qualidade genética e padrões sanitários rígidos. Vocês sabem como é aqui em Livramento... Passou uma rua e pronto.... Então, temos que trabalhar sanidade também.

    A Platéia - Há também outras questões, como o bem-estar animal?
    Speroto - Temos que trabalhar, estando preparados para o próximo obstáculo que virá, o bem estar animal. Temos um rebanho diferenciado e temos a grande oportunidade de saltarmos na frente., porque não agregar mais estas condições. Quando vier uma posição, se temos consciência de que isso tenha que ser praticado, vamos praticar antes que seja solicitado. É preciso que nos antecipemos. Não fiquemos aguardando as condições para, somente depois de conhecê-las, buscar cumprir. Antecipação é, indubitavelmente a palavra-chave.











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