Razões e
sentimentos
O repórter Cleiser Maciel quis saber
de mim, na terça-feira, o que significava
escrever uma coluna semanal para A Platéia,
abordando temas da atualidade.
Lembro que, entre outras coisas, disse a
ele me sentir feliz e gratificado, porque
se tratava de um dos mais importantes e
tradicionais veículos de comunicação
do Estado.
Acrescento agora que tinha uma dívida
com a família Badra, pois o que está
a acontecer hoje, deveria ter ocorrido há
exatamente um ano, logo que deixei o comando
da área de comunicação
do Governo Germano Rigotto.
Eu pretendia, então, voltar às
minhas pesquisas e a meus livros de resgate
de episódios da história do
Rio Grande e retornar também à
atividade jornalística.
Mas fui surpreendido com o convite (na verdade
uma intimação) do deputado
Frederico Antunes para que contribuísse
com ele, em seu mandato de doze meses na
presidência da Assembléia Legislativa.
Sempre entendi incompatível misturar
as atividades da Superintendência
de Comunicação Social do Legislativo
gaúcho e uma contribuição,
mesmo que eventual, como colunista de um
veículo de comunicação.
Afinal, cabia-me cumprir um mandamento essencial
daquele cargo: ser democrático na
informação, sem privilégio
para este ou aquele jornal, rádio,
tv.
Registro, por dever, que foram duas experiências
fascinantes acrescentadas à minha
biografia esse estar ao lado de dois homens
públicos que honram as melhores tradições
da política do Rio Grande. Não
tenho dúvida de que tanto Germano
Rigotto quanto Frederico Antunes ainda vão
prestar serviços relevantes ao Estado
e ao país, bem maiores das que continuam
a oferecer neste momento de suas vidas.
E a política gaúcha e brasileira,
convenhamos, necessita mais do que nunca
separar o joio do trigo, tantos são
os desmazelos, os escândalos e a falta
de ética da grande maioria dos políticos
do país.
Diz-se que sempre houve corrupção,
como aqui e agora, em qualquer governo,
de qualquer país, em qualquer tempo.
É verdade, em parte.
Mas há um diferencial. Neste país,
a impunidade grassa absoluta, ao contrário
da maioria das grandes Nações.
Recordo bem quando, ainda jovem repórter,
fui pela primeira vez aos Estados Unidos
e me impressionou o número de homens
públicos cumprindo pena de prisão
por atos ilícitos.
Embora todos os escândalos repetidamente
denunciados pela imprensa - de mensalões
a mensalinhos, de flagrantes inquestionáveis
de dólares em cuecas até entrega
de propinas - quem está atrás
das grades?
Resta uma esperança. Que os jornalistas
e a imprensa continuem a cumprir o seu papel
de revelar todos os desmandos. Só
a vergonha decorrente dessas denúncias
será capaz de fazer com que a sociedade
se mobilize e provoque as mudanças
necessárias.
Quando isso acontecer, a maioria honesta
do povo brasileiro vai dizer obrigado.
P.S. - Outra razão para existir esta
coluna: tenho amores por Livramento.
ro2803@terra.com.br
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