"Castração
química" é tema de pesquisa
e projeto de lei
O tratamento de pedófilos com inibidores
da libido, chamado popularmente de "castração
química", voltou ser discutido
na semana que passou. Em Brasília,
na quarta-feira, o senador Gerson Camata
(PMDB-ES) defendeu a aplicação
do tratamento em pedófilos condenados.
Seu projeto de lei que regulamenta o procedimento,
PLS 552/07, está tramitando na Comissão
de Constituição, Justica e
Cidadania (CCJ). E na próxima semana,
um projeto de pesquisa sobre a "castração
química" deve ser aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa
da Faculdade de Medicina do ABC, no Estado
de São Paulo.
A medida consiste na ação
preventiva de aplicar injeções
de antiandrógeno, que bloqueiam a
produção de testosterona nos
testículos. A redução
no nível de testosterona diminui
também a agressividade, por isso
os defensores consideram-na a melhor forma
de prevenir os ataques sexuais.
Para o parlamentar, já estaria provado
que os pedófilos são irrecuperáveis.
Na Itália, França, Inglaterra
e em alguns Estados norte-americanos, onde
é realizada a "castração
química", o pedófilo
condenado pode escolher entre cumprir a
pena de prisão integral ou ter sua
pena reduzida, com a adoção
do tratamento médico.
Camata também comentou a notícia
sobre um projeto de pesquisa que está
por ser aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa da Faculdade de Medicina do
ABC, no Estado de São Paulo, apresentado
pelo psiquiatra Danilo Baltieri, doutor
em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria
da Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo e coordenador do Ambulatório
de Transtornos da Sexualidade da Faculdade
de Medicina do ABC (ABSex) para testar em
pedófilos.
"Na próxima reunião,
deve ser aprovado o projeto", afirma
o coordenador do Comitê, o pneumologista
Elie Fiss. Na última reunião
do grupo, há mais de uma semana,
foram requisitadas algumas alterações,
"mas não eram coisas essenciais",
segundo o médico.
"O projeto não apresentou nenhum
desvio ético, tem embasamento na
literatura médica, metodologia completa,
o currículo do pesquisador é
adequado ao tema, como também o local
onde será desenvolvida a pesquisa".
O Comitê é composto por médicos,
juristas advogados, psicólogos, enfermeiras,
fisioterapeutas, pedagogos e dois representantes
da comunidade.
O projeto de pesquisa foi analisado primeiramente
por um relator. Este o expôs ao grupo,
que discutiu o tema, realizou votação
e fez algumas recomendações
de modificação no estudo.
Fiss afirma que o assunto não é
novidade na literatura médica.
Em outubro do ano passado, a imprensa divulgou
que Baltieri utilizou o método de
controle hormonal para diminuir a libido
de um paciente pedófilo.
O Conselho Regional de Medicina de São
Paulo (Cremesp) decidiu analisar o caso,
para analisar se o tratamento tem evidência
cientifica sólida que beneficia o
paciente, se é seguro e também
se houve concordância do paciente
para esse tipo de tratamento, mas ainda
não tomou nenhuma resolução
sobre o assunto.
A assessoria de imprensa do órgão
informou que o Conselho é favorável
à aplicação do tratamento,
se ele é aplicado dentro de um protocolo
de pesquisa, com consentimento livre e esclarecido
dos pacientes. O Conselho observa que o
uso de inibidores químicos por pedófilos
não é um procedimento de rotina,
mas sim uma experiência com seres
humanos.
|