Desocupação:
índios ameaçam
usar homens-bomba
Os índios contrários à
desocupação da terra indígena
Raposa Serra do Sol, em Roraima, pretendem
usar até mesmo homens-bomba. Um indígena,
usando máscara e pedindo para não
ser identificado, mostrou como manipulará
os artefatos. "Estou preparado para
matar ou morrer. Tenho um cinto de bombas
e vou me jogar em cima dos policiais explodindo
todo mundo", ameaçou.
Além dessas armas, indígenas
das comunidades vizeu, contão, flexal
e taxi se uniram aos manifestantes e levaram
arcos, flechas e cassetetes. Até
sábado, 420 índios haviam
chegado à vila Surumu, distrito de
Pacaraima, para se unir aos cerca de 400
manifestantes.
Mulheres indígenas estão sendo
usadas como escudo para proteger a desocupação
da terra indígena Raposa Serra do
Sol. Com bombas de fabricação
caseira, arcos, flechas e cassetetes, elas
patrulham a região montadas em cavalos
e pretendem se defender dos policiais federais
destacados para executar a Operação
Upatakon 3.
Elas também mantêm os rostos
cobertos com máscaras artesanais.
Nas suas buscas, o alvo são os policiais
federais, que consideram inimigos. Elas
garantem que estão prontas para a
guerra.
Os acessos à vila Surumu estão
bloqueados por vias terrestre, fluvial e
aérea. Na via terrestre, duas pontes
foram incendiadas e outra permanece bloqueada.
Pelo rio Uraricuera, a balsa foi retida
e pela via área, os manifestantes
colocaram diversos tambores na pista de
pouso.
O outro caminho à terra indígena,
pelo município de Normandia (161
km de Boa Vista), também foi fechado.
Os manifestantes queimaram a cabeceira da
ponte de madeira Conceição
de Maú, que era a entrada principal
da cidade, deixando mais de 7 mil habitantes
isolados.
O novo superintendente da Polícia
Federal em Roraima, delegado José
Maria Fonseca, classificou a resistência
dos produtores de arroz em deixar a terra
indígena Raposa Serra do Sol como
um ato de insubordinação.
O delegado Fonseca, que ainda aguarda a
publicação da portaria de
nomeação, disse ainda que
o movimento consiste em "desobediência
civil, incitação à
prática de crimes, uso de incapazes
como escudos, cerceamento do direito constitucional
do cidadão de ir e vir e danos causados
ao patrimônio público".
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