Para funcionar, trecho
de
ferrovia depende de estudo
Na tarde de ontem, foi realizado um encontro
na Unipampa com o objetivo de encaminhar
um plano de trabalho para uma futura reativação
da ferrovia com trecho de 158 km que liga
Sant'Ana do Livramento a Cacequi. O investimento
na recuperação planejada para
colocar esse trecho novamente em funcionamento
busca a integração do Mercosul
e um aumento do escoamento de cargas através
do Porto de Rio Grande. O uso da ferrovia
significa uma alternativa para a destinação
de produtos da região a mercados
brasileiros e uruguaios e o estabelecimento
de uma alternativa à metade norte
do Uruguai para a colocação
dos seus produtos, como a madeira, por exemplo,
no Mercado Comum Europeu.
Entre os presentes na reunião estavam
o professor Avelar Fortunato (Unipampa),
Úrsula Vieira (Universidade Federal
de Santa Catarina - UFSC), Marcus Expedito
de Almeida (superintendente de serviços
de transporte e carga da Agência Nacional
de Transporte Terrestre), executivos da
ALL, empresa que administra a malha ferroviária
de seis estados do Brasil, e os vereadores
Sérgio Moreira (PDT) e Bernardo Fontoura
(PSDB), que compõem a comissão
formada na Câmara de Vereadores para
discutir assuntos referentes à ferrovia
e promover uma articulação
entre as partes interessadas na reativação.
Mas reativar a ferrovia não é
simples. Um estudo da demanda de cargas
é necessário para a efetivação
do projeto. "O importante agora é
ter um mapeamento da carga, com sua origem,
destino e retorno. Isso é importante
para a viabilização do modal
ferroviário", afirma Pedro Roberto
Almeida, diretor de relações
corporativas da ALL.
Exemplo
No próprio encontro, a professora
Úrsula Vieira (UFSC) apresentou um
estudo de viabilidade de uso das ferrovias
do centro e norte do país realizado
nos mesmos moldes do que seria necessário
para se enxergar a viabilidade de execução
do projeto de reativação dos
158 km entre Livramento e Cacequi. "Eles
têm um trabalho semelhante a esse,
daquilo que a gente quer realizar aqui",
destaca Avelar Fortunato.
A pesquisa da Unipampa demandaria, por exemplo,
a análise da origem e destino da
carga, do potencial de exportação,
importação e movimentação
de produtos, da localização
das rodovias da região e do perfil
econômico. "O papel das universidades
vai ser esse trabalho de garimpar produtos,
mercadorias, clientes potenciais para nós
levantarmos um número. Temos tantos
milhões de toneladas/ano para transportar,
temos um frete médio da ordem tal
e isso seria comparado com um custo de recuperar
o ramal (trecho da ferrovia) e até
mesmo de operação", complementa
Marcus Expedito de Almeida, da ANTT.
No entanto, o início da pesquisa
deve demorar, pois primeiro deve ser feito
um projeto pela Unipampa, que não
dispõe de recursos próprios
para a realização do estudo,
que tem custos com deslocamentos para viagens
e bolsistas, entre outros. "O próximo
passo é elaborar um plano de trabalho,
um levantamento de custos do projeto pra
tentar fazer a pesquisa. E tentar achar
agentes financiadores para realizar a pesquisa,
já que na reunião de hoje
(ontem) nenhuma entidade ficou responsável
para financiar o levantamento de demanda",
diz Fortunato.

DANIEL BADRA/AP
Reunião foi coordenada pelo professor
da Unipampa Avelar Fortunato

DANIEL BADRA/AP
Ivana Spir, Gerente de Relações
Corportativas da ALL, falou do que é
necessário para a reativação
do ramal

Após a reunião de trabalho
na Unipampa, o jornal A Platéia conversou
com Marcus Expedito de Almeida, Superintendente
de Serviços de Transporte e Carga
da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT).
A Platéia: Como avalia a reunião
realizada em Sant'Ana do Livramento?
Marcus Almeida: Houve progresso com relação
ao plano de trabalho. Ficou definido que
a base de todo esse trabalho seria o estudo
de demanda e avaliação da
viabilidade desse empreendimento. A ALL
(América Latina Logística)
já tem o custo levantado para recuperação
da via. A própria ANTT também
fez o seu levantamento para balizar os custos
da ALL. E, agora, o fundamental é
nós identificarmos cargas originadas
aqui na região, seja Livramento,
seja Rosário do Sul, e a própria
carga originária do Uruguai ou até
mesmo da Argentina que vai circular nesse
ramal. O grande destino seria o Porto de
Rio Grande para exportação
e o mercado, seja na região sul ou
sudeste para essas demandas. E também
identificar cargas no sentido contrário,
que vão circular do Brasil no sentido
do Uruguai.
AP: E de que modo percebe esse diálogo
com o país vizinho (Uruguai) e todo
esse estudo para a cooperação
entre os dois paises?
Marcus: O interesse é grande, tanto
que estavam presentes representantes da
área diplomática tanto do
Brasil como do Uruguai, então isso
aí já mostra um grande interesse
dos dois paises.
AP: A ANTT fica no aguardo das próximas
decisões? Qual a medida a ser tomada?
Marcus: A ANTT vai continuar participando
disso e vamos buscar algumas alternativas
também para viabilizar esse estudo
de demanda. Nós não vamos
ficar simplesmente no aguardo. Nós
vamos continuar trabalhando junto com o
professor Fortunato, o vereador Sérgio
Moreira, o vereador Bernardo Fontoura e,
inclusive, o presidente da Câmara
Municipal que esteve aqui conosco. Acho
que empenho é forte, o grupo está
unido e vamos ver como podemos achar a melhor
solução para esse empreendimento.
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