| Dois jovens podem ser
os autores do latrocínio ocorrido
na vila Atenas
Indignação
e frustração. Estas duas palavras
definem bem o estado de espírito
que o delegado titular da 1ª Delegacia
de Polícia, Eduardo Sant'Anna Finn,
apresenta atualmente, diante da falta de
testemunhas que possam identificar os principais
suspeitos da autoria do assassinato do taxista
uruguaio Juan Francisco Sanes Silveira,
57 anos de idade, ocorrido no dia 28 de
março, na rua Dr. Clovis Crisot,
na vila Atenas, em Livramento.
O delegado, junto com sua equipe de investigações,
vem enfrentando diversas dificuldades com
a comunidade local que se nega a dizer o
que viu naquela manhã de sexta-feira.
"É um absurdo o que vem acontecendo
com as pessoas desta cidade. Elas simplesmente
não querem se comprometer com nada.
Estamos diante de um latrocínio bárbaro
ocorrido em plena luz do dia e de vários
outros homicídios e simplesmente
não conseguimos provar o que de fato
ocorreu, porque a resposta é sempre
a mesma: não sei, não vimos,
não conhecemos. Assim é muito
difícil trabalhar", protestou
Finn.
Investigações
Mesmo assim, as investigações
sobre este latrocínio continuam evoluindo,
graças aos intensos trabalhos da
Polícia Civil que, através
de uma informação ou outra,
vem fechando o cerco e já conseguiu
chegar a dois nomes, que no momento são
os principais suspeitos.
Os mesmos são jovens, entre 20 e
25 anos de idade, possíveis usuários
de drogas, e têm as suspeitas reforçadas
em virtude da versão apresentada
pelos familiares do paradeiro de ambos,
e em função do não
comparecimento deles à Delegacia
de Polícia, mesmo depois de terem
sido intimados a depor. "Esses dois
indivíduos não foram encontrados
mais na cidade depois do latrocínio
e mesmo a família tendo sido comunicada
da necessidade que a Polícia tem
de encontrá-los, até o momento
nenhum compareceu para prestar esclarecimentos",
revela um membro da equipe de investigações.
A perícia trabalha agora com base
nos objetos encontrados na cena do crime:
um boné- onde foram encontrados alguns
fios de cabelo; manchas de sangue no veículo
e nas roupas da vítima-que possivelmente
possa pertencer também a um dos acusados,
e a faca suja de sangue encontrada por um
cidadão na avenida Paulo Labarthe,
no Cerro do Caqueiro, que imediatamente.
Pegou um táxi
Também já se sabe que um
dos suspeitos teria pegado um táxi
na mesma manhã do crime, em um ponto
próximo à Estação
Rodoviária de Livramento. Este indivíduo
estaria extremamente nervoso e possuía
a roupa manchada, possivelmente de sangue.
"Sobre este indivíduo, nenhum
taxista do local quis relatar oficialmente
o que viu", disse o delegado.
Já com relação ao segundo
suspeito, a família do mesmo informou
que ele teria saído da cidade um
dia antes do crime e que não teria
dado mais notícias.
Sant'Anna Finn salienta ainda, que ao que
tudo indica, o trabalhador Juan Francisco
Silveira foi mesmo vítima de latrocínio.
"Até o momento não temos
outros indícios que possam divergir
de um latrocínio. A perícia
apontou diversas lesões no pescoço,
provocada por um instrumento cortante (faca),
sendo que um deles, o maior, foi o golpe
fatal que atingiu o pescoço da esquerda
para o centro, degolando a vítima.
Acreditamos que tenha ocorrido luta corporal
entre a vítima e seus algozes e que
as manchas de sangue que encontramos na
parte externa do veículo possam pertencer
a um dos assassinos, que talvez pudesse
ter se cortado as mãos durante a
agressão ao taxista", comentou.


JORGE FLORES/AP
Delegado Eduardo Sant’Anna Finn espera
concluir o inquérito do latrocínio
em breve
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