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    Militantes do MST bloqueiam rodovia
    e fazem reivindicações na agência BB

    Enquanto havia a expectativa de desocupação voluntária da Fazenda Southall, em São Gabriel; o que até o fechamento desta edição não havia ocorrido, MST e Via Campesina marcharam pela BR 158, em direção a Sant’ Ana do Livramento. Em torno de 250 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, acompanhados de crianças e mulheres da Via Campesina, realizaram bloqueios na rodovia federal, pouco adiante à Faxina, no quilômetro 230,5.
    A ação faz parte da mobilização denominada Abril Vermelho, instituída pelo MST há alguns anos e que se repete a cada ano no mês de abril, com ocupações, invasões, bloqueios de rodovias, entre outros atos.
    O volume de tráfego na BR 158, que faz a ligação de Sant’ Ana do Livramento com Rosário, Bagé, entre outros municípios, era considerado normal para o período e a cada meia hora, os manifestantes fecham a rodovia por 19 minutos. Eles apresentaram pauta de reivindicações ao governo do Rio Grande do Sul, bem como portam faixas com dizeres de cobrança à União, além de repetirem que as manifestações são para marcar os 12 anos da chacina de Eldorado do Carajás, no sul Pará, em 17 de abril de 1996 (veja quadro), quando 19 militantes do movimento foram mortos em confronto com a polícia militar paraense. O conflito, além das mortes, deixou um saldo de 69 mutilados e centenas de feridos, haja vista que eram 1.500 manifestantes protestando, à época.
    Logo após terem montado o aparato para a realização dos bloqueios no tráfego, os militantes constituiram uma força de marcha para se dirigir até a agência do Banco do Brasil, onde um grupo de lideranças do MST pretendia entregar uma pauta de exigências à gerência geral, sendo foco central da reivindicação, a negociação das dívidas contraídas pelos assentados com o Banco do Brasil.
    As interrupções no tráfego continuaram ao longo de todo o dia, até pouco após às 17h, quando os militantes se recolheram para acampar em barracas improvisadas no local. Hoje, os bloqueios serão retomados, havendo previsão de início logo após às 10h e encerrando no mesmo horário de ontem.
    A Polícia Rodoviária Federal e um efetivo composto por policiais da Brigada Militar estão a alguns metros da área de bloqueio, mantendo monitoramento.
    O Comando Regional de Policiamento da Fronteira Oeste, cujo efetivo de oficiais está em acampamento de monitoração na Fazenda Southall, em São Gabriel, está recebendo informações periódicas sobre o que acontece na área de bloqueio.
    Não havia abordagens aos motoristas que eram forçados a parar seus veículos e aguardar a liberação da pista por parte dos manifestantes, os quais utilizaram pneus com matéria inflamável para marcar as barreiras.

    Pauta de reivindicações
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    Política de Reforma Agrária, com assentamento de 1.500 famílias acampadas e 5 mil famílias em assentamentos; assentamento de 30% dos acampados, solução para fazendas Mercedes e Palermo, garantia de infra-estrutura básica para os assentamentos (estradas, água, centros comunitários, programas de agroindústria), solução de dívidas do Feaper, Funterra e Banrisul, regularização e medição dos assentamentos do Governo do Estado; exigência da liberação dos recursos do programa de fruticultura para assentamentos, agilidade nos licenciamentos da Fepan (há mais de 70 casos de licenciamento ambiental para assentamentos emperrados na burocracia), política de irrigação e fim da cobrança de ICMS da luz aos pequenos agricultores e assentados. Esses são os pontos de reivindicações do MST ao governo estadual.
    Os manifestantes criticam a governadora Yeda Crusius por ter extinto o Gabinete da Reforma Agrária, bem como promover reduções de orçamento para essa área. Fizeram também uma exigência: de que o governo gaúcho apresente um programa de reforma agrária e um orçamento compatível com as demandas das famílias assentadas, as quais, conforme os manifestantes, estão desasistidas e sem nenhum órgão que seja responsável.
    Já no Banco do Brasil, os manifestantes, por intermédio de suas lideranças, fizeram reivindicações aos gerentes em relação a questões de financiamentos.

    No massacre, dezenove sem-terras foram mortos pela Polícia Militar do Estado do Pará. O confronto ocorreu quando 1.500 sem-terras que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as da Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia PA-150, que liga a capital do estado Belém ao sul do estado. A ordem para a ação policial partiu do Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, que declarou, depois do ocorrido, que autorizara "usar a força necessária, inclusive atirar". De acordo com os sem-terras ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os sem-terras revidaram com paus e pedras. A polícia, então, partiu para uma ação mais violenta e atirou. Dezenove pessoas morreram na hora, outras duas morreram anos depois, vítimas das seqüelas, e outras sessenta e sete ficaram feridas. Segundo o legista Nélson Massini, que fez a perícia dos corpos, pelo menos 10 sem-terras foram executados. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões.
    O comando da operação estava a cargo do coronel Mário Pantoja de Oliveira, que foi afastado, no mesmo dia, ficando 30 dias em prisão domiciliar, determinada pelo governador do Estado, e depois liberado. Ele perdeu o comando do Batalhão de Marabá. O ministro da Agricultura, Andrade Vieira, encarregado da reforma agrária, pediu demissão na mesma noite, sendo substituído, dias depois, pelo senador Arlindo Porto.


    DANIEL BADRA/AP
    Manifestantes na rodovia federal realizaram bloqueios ao longo de determinados horários


    DANIEL BADRA/AP
    Policiais da Brigada Militar se posicionaram na frente da agência do Banco do Brasil para aguardar o MST











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