Como ativista do
trabalho e do emprego, desejo saudar o desempenho
do Brasil no ano de 2007, que neste período
alcançou o maior número de
vagas nos últimos 42 anos. A expansão
do emprego acompanhou o crescimento da economia,
embora a maior parte das oportunidades tenham
acontecido na base dos salários mais
baixos. Dois fatores principais são
apontados como responsáveis por esta
evolução: o crescimento, especialmente
no campo e o aumento da fiscalização
trabalhista, que tirou muitas pessoas da
informalidade e que agora passam a ter suas
situações regularizadas.
Todos sabemos que a maioria das propriedades
agrícolas do País não
se constituem na forma de empresas, facilitando
a contratação dos empregados
informais. Acontece, que nos dias atuais,
com a fiscalização e as visões
inerentes a esta falta de regularização
os riscos são tão grandes
que o produtor deve se prevenir quanto a
estas situações. Um acidente
poderá determinar uma contingência
capaz de consumir o resultado de um ano
inteiro de trabalho ou a perda de parte
substancial do patrimônio para atender
estas obrigações.
Ocorreu incremento no setor de serviços.
A construção civil, a olhos
vistos, voltou a ter um crescimento significativo.
No agronegócio, o segmento sucroalcoleiro
foi o grande impulsionador dos empregos.
A recuperação dos setores
de grãos e pecuária ajudou
a elevar o saldo de empregos no País.
Milhares de hectares novos foram cultivados
com a cana de açúcar, determinando
por conseqüência o aumento de
postos de trabalho. Estes investimentos
na cana também aconteceram na pecuária
como um todo, já que o preço
das carnes sofreu um reajuste expressivo,
determinando a contratação
de veterinários, agrônomos,
tratoristas, motoristas, colhedores ou trabalhadores
braçais de campo e lavouras, bem
como outros profissionais especializados.
Deve-se registrar, como foi o caso do Rio
Grande do Sul, que os Estados predominantemente
agrícolas e com investimentos novos
em grãos e pecuária registraram
expansão acima da média.
Outro fato a ser considerado neste cenário,
especialmente com relação
a produção de cana de açúcar
é que o período de safra desta
cultura também se ampliou. Antes
a colheita ia de maio a novembro e agora
vai de março a dezembro, aumentando
significativamente o número de safristas.
Isto vem acontecendo, pela adição
de variedades diferenciadas e também
pelos agregados que a cultura vem determinando.
É importante compreender que repercussões
como estas significam não apenas
o aumento de vagas mas também a possibilidade
de inclusão, através da fixação
de pessoas que tem baixa renda no campo,
numa melhor condição alimentar
e com demanda social menor. Esta situação
ajuda a manter os empregados no campo. O
pensamento estratégico não
deve se limitar a produzir, mas ter presente
a responsabilidade social, que começa
a ser muito valorizada no momento em que
os consumidores fazem as suas opções
de compra.
É claro que também poderá
contribuir para esta melhoria a flexibilização
da legislação trabalhista,
com a criação de contratos
de trabalho com prazos determinados e desoneração
de tributos. Os custos dos encargos trabalhistas,
nos níveis atuais são insuportáveis.
Os contratos rurais deveriam ser mais simples
e com menos encargos. Com estas facilidades
os produtores poderiam investir para melhorar
as condições básicas,
como água potável, sanitários
e alimentação em local próximo
as lavouras, que em regiões mais
carentes são sempre assinaladas.
São estas situações
novas, que tem produzido mais oportunidades
de emprego e poderão influenciar
o governo para evoluir na elaboração
de nova legislação. Contribuindo
assim para um círculo virtuoso, em
especial a partir do agronegócio,
que é o maior gerador de empregos
do Brasil com aproximadamente 40% de todas
as vagas existentes. Para que o objetivo
do pleno emprego seja alcançado devemos
vencer muitas etapas e compatibilizar a
abertura de vagas com um processo educacional
e formador do trabalhador que o credencie
para desempenhar suas tarefas de forma qualificada.
Afonso Antunes da Motta
Advogado e Produtor Rural
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