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    Cores, luzes e emoções misturam-se no sambódromo

    Assim tem sido as noites do Carnaval de rua de Sant'Ana do Livramento. Passada a tensão da estréia e com todas as expectativas superadas, as escolas de samba comprovaram mais uma vez que o evento continua em ascendência e tende apenas a continuar crescendo nos próximos anos.
    Já na abertura, marcada por discursos inflamados, os organizadores e autoridades destacaram a resposta positiva do público que compareceu em massa e deu uma resposta positiva ao chamamento da Liesa - Liga Santanense das Escolas de Samba, e da prefeitura municipal através da Secretaria de Turismo.

    Abertura

    Durante a entrega da chave da cidade para o Rei Momo, Ricardo Suarez, por volta das 22h de sábado, o prefeito municipal Wainer Machado parabenizou a comunidade santanense e os carnavalescos pela demonstração de vontade para com o evento. Ao cumprimentar o público presente, Wainer afirmou que as escolas de samba estão no rumo certo no que tange à organização. "Estamos prontos para fazer a cidade voltar a ter um dos melhores carnavais de rua de todo o Rio Grande do Sul", afirmou. Emocionado, o Rei Momo Ricardo Suarez não conteve as lágrimas ao afirmar a sua satisfação em retornar ao Carnaval de rua de Sant'Ana do Livramento em um momento, que segundo ele, pode ser considerado um dos mais especiais da história do evento na cidade. Já o secretário de Turismo, Eduardo Oliveira, salientou a importância da participação da comunidade, respaldo necessário para cada uma das escolas de samba apresentarem o seu desfile da melhor forma possível. "Espero que todos nós tenhamos um grande Carnaval", acrescentou.
    Dagberto Reis, presidente da Liesa, fez questão de agradecer o público que compareceu no sambódromo. O presidente, visivelmente emocionado com a resposta positiva da comunidade e de cada uma das sete escolas de samba, em seu discurso na abertura relembrou uma frase dita várias vezes ao longo do seu período à frente da liga: "Eu sempre disse que Livramento teria o Carnaval que escolhesse, se hoje temos um evento grandioso, é porque a comunidade o quer assim", afirmou. Dagberto voltou a manifestar-se na segunda noite de Carnaval quando aproveitou para agradecer o apoio recebido da comunidade, da imprensa, empresários e autoridades. "Tenho apenas uma frase para dizer a todos, muito obrigado", finalizou.

    Os Reais Academia do Samba

    A estreante do Carnaval de 2008 foi também a primeira escola a entrar na avenida na noite do último sábado. Com um desfile leve, colorido e extremamente alegre, a escola de samba, que enaltece a importância dos negros e de sua luta contra o preconceito racial através do seu samba-enredo, trouxe a professora Enilda Cruz, uma das maiores autoridades na história dos negros no Brasil ,entre os seus destaques. A nova agremiação arrancou aplausos do público já a partir dos primeiros passos na avenida quando começou a entoar o seu refrão :"Eu não sou moreno, sou negão". Sem disputar o título neste ano, Os Reais estão apenas sob observação da comissão julgadora que irá definir, logo após o Carnaval, se a escola reúne todas as condições necessárias para desfilar no grupo principal a partir de 2009.

    Mocidade Alegre

    A primeira das agremiações que disputa o título do Carnaval de rua de 2008, a Academia do Samba Mocidade Alegre, atual campeã, entrou na avenida disposta a defender a conquista obtida em 2008. Com carros grandiosos, coloridos, e componentes animados e empolgados, a escola arrancou aplausos e levantou o público ao desfilar na avenida. Já no esquenta, momento em que são feitas as considerações finais pelos diretores de cada escola, o mestre-sala e diretor da escola, Jaime, mexeu com os brios dos componentes e convocou a todos para cruzar a avenida com garra e alegria, resultado que foi observado com a passagem meteórica da Mocidade Alegre. Todas as expectativas em torno do desfile da escola foram confirmadas pelo público que vibrou de ponta a ponta dando provas claras de aprovação em tudo o que viu e ouviu. A bateria do mestre Jairo, um dos pontos mais fortes da escola, completou o desfile sem comprometer. Segundo o mestre, foi preciso poupar fôlego dos ritmistas para o crescimento necessário no segundo desfile. As palavras do mestre foram confirmadas na noite de ontem quando a bateria da Mocidade deu, a exemplo dos dois últimos anos, um show à parte no sambódromo, conquistando e cativando o público com sua cadência bem marcada, com bossas e paradinhas que já viraram marca registrada da mais nova entre as grandes escolas do Carnaval de Sant'Ana do Livramento.

    Bafo da Onça

    A amarelo e preto que espera há 16 anos na fila por um título do Carnaval santanense, apresentou melhoras significativas em 2008 pelas mãos do seu presidente Djalma Lúcio e do seu vice Miguelzinho. Colorida, e organizada, a escola desenvolveu o seu tema-enredo com simplicidade e competência, marca que foi observada de perto pela comissão julgadora que incluiu a escola definitivamente na briga pelo título deste ano. "É preciso fazer um agradecimento especial ao presidente da minha escola pela força de vontade em reerguer este gigante que permaneceu adormecido por alguns anos chamado Bafo da Onça. Recolocar a escola em condições de igualdade com as demais é uma luta diária que precisa ser reconhecida por cada um dos seus componentes e por toda a comunidade santanense", frisou Darlan Felizardo, o popular Feijão, carnavalesco do Bafo da Onça radicado na capital do Estado há 30 anos e que veio para Sant'Ana do Livramento especialmente para desfilar pela escola.

    Nascente do Sol

    Técnica e organização. Assim pode ser definida a apresentação da Escola de Samba Nascente do Sol. Apresentando surpresas agradáveis já na sua comissão de frente que encenou uma caminhada do homem em solo lunar, a escola arrancou aplausos das arquibancadas pelo arrojo, criatividade e bom gosto durante o seu desfile. Com atenção total às obrigações regulamentares, marca registrada da Nascente, mais uma vez ela encaixa-se na luta pelas primeiras posições do Carnaval de rua santanense. O tema-enredo, que retrata a busca do homem em um cenário que mescla imaginação e realidade em relação ao universo e ao infinito, foi retratada na avenida com fantasias bem desenhadas que fizeram felizes os seus componentes. Com uma bateria pulsante absolutamente concordante com a harmonia da escola, a Nascente confirmou nos seus dois desfiles que merece uma lugar entre as primeiras no pódio.

    Tradição

    Cor, luxo e criatividade. Assim cruzou a avenida a Escola de Samba Tradição na segunda noite de Carnaval no sambódromo. A agremiação, campeã do Carnaval de 2006, veio para a avenida disposta a recuperar o título perdido no ano passado quando viu escapar por entre os dedos o bi-campeonato. Com carros originais e luxuosos, componentes bem vestidos e uma bateria vigorosa, a Tradição mostrou na avenida que está na luta direta pelo título com pelo menos outras três escolas de samba. Sua comissão de frente, reconhecida pela mão firme da sua coreógrafa Nereida Lampert, abriu o desfile da escola com plasticidade, leveza e beleza, da mesma forma como foi conduzido o resto do desfile da escola. A mostra de desenhos e enfeites brilhosos e multicoloridos, agradou em cheio o público que compareceu na avenida para conferir de perto tudo o que fora anunciado previamente com respeito da Tradição.

    Os Acadêmicos

    Um mar vermelho e branco inundou a passarela do samba. Assim pode ser definida a passagem de um furacão chamado Sociedade Recreativa Os Acadêmicos pelo sambódromo santanense. A alegria estampada no rosto de cada um dos seus componentes no espetáculo, que deu início às comemorações do cinqüentenário da escola, tomou conta do público que lotou as arquibancadas e compareceu para assistir à escola. Os Acadêmicos desfilaram com a maestria da qual apenas os mais experientes possuem dando uma verdadeira aula de samba sem deixar de respeitar as demais agremiações concorrentes neste Carnaval. Amada por muitos e vista com extrema desconfiança por outros, uma vez que nos dois últimos anos, a escola, uma das mais aguardadas pelo público, acabou decepcionando e viu escapar a chance de recuperar um título que não é ganho desde 1989. Desta vez, a escola que foi reforçada por um grande número de componentes vindos de várias cidades do Estado e da capital, especialmente para compor o tema-enredo, uma homenagem aos cinqüenta anos de atividade da escola, está firme e mais confiante em um resultado positivo. Sem inventar paradas mirabolantes e bossas arriscadas, a bateria do mestre Madica cruzou simples para a avaliação dos jurados porém, em nenhum momento foi capaz de comprometer a cadência da escola a ponto de perder pontos muito significativos. Méritos para um setor da escola que teve extremas dificuldades em iniciar os seus ensaios e teve que ser ajustada praticamente às pressas para fazer o Carnaval. Como prêmio, a bateria foi muito aplaudida após a sua passagem vigorosa que deverá render notas altas à escola.

    Praiana

    A mais internacional das escolas de samba de Sant'Ana do Livramento tornou-se mais internacional ainda ao trazer para a avenida, um pouco do que a China tem. Com fantasias diferenciadas e absolutamente dentro do tema, já a partir da sua comissão de frente, a Praiana veio neste ano surpreendendo até os mais pessimistas com relação à escola. Ao contrário do esperado, a escola veio para a avenida para fazer um grande Carnaval, dentro das suas possibilidades. O crescimento da qualidade do espetáculo apresentado pela Praiana foi observado com bons olhos pelo público nas arquibancadas que reconheceu o esforço de toda a sua diretoria, liderada pelo presidente Nelson Carvalho, e aplaudiu de forma calorosa a escola binacional.


    JADIR PIRES/ap
    Público reconheceu o esforço dos organizadores, compareceu e lotou o sambódromo nas três noites











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