| Livramento
despede-se da NHT
A NHT Transportes Aéreos, empresa
que há pouco mais de um ano foi recebida
com festa em Sant'Ana do Livramento em solenidade
que contou, inclusive, com a presença
do então diretor da ANAC - Milton
Zuanazi, deixou oficialmente de operar em
Sant'Ana do Livramento, exatamente às
13h55min de ontem, hora em que a aeronave
prefixo PR/NHA, a primeira a ser adquirida
pela empresa, decolou do aeroporto da vizinha
cidade de Rivera.
Passada a euforia, a direção
da empresa entendeu que a cidade não
deu a resposta esperada no que tange ao
fluxo de passageiros necessários
para a manutenção da linha
na cidade.
Jeffrey Kerr, diretor comercial da NHT,
um dos que mais conhece a realidade da cidade,
no momento do embarque lamentou o fim das
operações da empresa em Sant'Ana
do Livramento e afirmou que a mesma fez
a sua parte. "O retorno das nossas
atividades aqui, não está
descartado, basta apenas a comunidade mobilizar-se
e mostrar que quer continuar voando e aproveitando
o seu tempo.
Batalha perdida
Ruben Ibargoyen, representante da loja
da NHT em Sant'Ana do Livramento, lamentou
profundamente o fim das operações
na cidade. Em entrevista concedida a reportagem
de A Platéia no aeroporto de Rivera,
momentos antes do último embarque
de passageiros, Ruben fez um desabafo. "Lamento
que a comunidade, os empresários,
principalmente, não tenham entendido
a necessidade da otimização
do tempo. Assistimos agora a virada de mais
uma triste página em Livramento,
com a partida da NHT", destacou. Emocionado,
ao assistir a última decolagem da
aeronave, Ruben não conteve as lágrimas
com um olhar profundo e vazio na beira da
pista. "Quero crer nas palavras do
diretor Jeffrey Kerr que afirma ser esta
apenas uma suspensão temporária.
Sei que será extremamente difícil
repararmos esta perda e trazer a NHT de
volta, porém, é preciso acreditar
que o quadro pode ser revertido", finalizou.
A reportagem de A Platéia procurou
ouvir os representantes de setores importantes
da comunidade, CDL, ACIL, Câmara de
Vereadores e Prefeitura Municipal, a respeito
do fato.
O vereador João Batista Conceição
(PSB), presidente do legislativo municipal,
lamentou o fim das operações
da empresa em Sant’Ana do Livramento.
“A Fronteira perde muito com esta
decisão da NHT. O preço alto
das passagens contrastou com o baixo poder
aquisitivo dos santanenses, que não
tiveram como dar a resposta esperada pela
empresa. Já estamos mantendo contato
com uma importante empresa aérea
brasileira, no caso, a GOL, que tem linhas
diárias entre Porto Alegre e Montevidéu,
para que a mesma faça uma escala
na cidade. Já foi feito um pedido
de audiência com a direção
da mesma e espero em breve poder dar uma
resposta satisfatória aos santanenses
a respeito de uma empresa que poderá
vender passagens ao custo de U$ 80,00 dólares,
cerca de R$ 160,00 (cento e sessenta reais),
para o mesmo trecho (Livramento/Porto Alegre)”,
frisou.
Já o prefeito Wainer disse que a
perda de uma empresa responsável
pelo acesso rápido de empresários
e mesmo turistas para a Fronteira, é
um fato extremamente lamentável.
Wainer disse ainda que a empresa não
aceitou os pedidos feitos para que houvesse
uma diminuição no preço
das passagens, o que dificultou ainda mais
o acesso dos santanenses e uma resposta
positiva. Sergio Renato Oliveira, presidente
da ACIL, disse em entrevista, que foram
feitas várias tratativas e, nenhuma,
obteve sucesso junto a empresa. “É
um fato a ser lamentado de forma profunda
porém, a realidade econômica
da cidade não condiz com o preço
sugerido nas passagens”, frisou. Segundo
o presidente da ACIL, a NHT não entendeu
a situação difícil
da cidade no que tange a questões
econômicas, ao comparar Livramento
com outras regiões mais desenvolvidas
dentro do Estado do Rio Grande do Sul. Carlos
Roberto Fervenza, presidente do CDL - Câmara
dos Dirigentes Lojistas de Sant’Ana
do Livramento, entende que é lamentável
para o município, mas, há
toda um conjuntura econômica que impede
a prática de preços compatíveis
com o bolso de quem precisa viajar. Disse
também, que a saída da empresa
entristece, mas a cidade atualmente não
comporta.

DUDA PINTO/AP
O diretor Jeffrey Kerr (em pé na
porta da aeronave), despediu-se dos santanenses
na tarde de ontem
O último passageiro
O engenheiro paranaense da cidade de Curitiba,
Alisson Matos, 31 anos, foi pego de surpresa
ao ser avisado pela reportagem que este
tratava-se do último vôo da
empresa com escala em Sant'Ana do Livramento.
"Quando vim para Livramento, saí
de Porto Alegre com um amigo e viajamos
durante cinco horas de carro, em uma estrada
perigosa e sob um calor muito intenso. Voltar
de avião é um conforto indispensável.
Lamento por fazer parte da história
deste município que conheci há
poucos dias e que me encantou. Gostaria
de voltar mais vezes, sempre de avião,
acho que meu desejo não será
realizado", lamentou.
Alisson embarcou com mais três passageiros
em Sant’Ana do Livramento e fez questão
de despedir-se de todos os funcionários
de plantão no aeroporto de Rivera.
Pessimista com relação ao
futuro, ele lamentou ao ser informado da
situação, de não ter
havido uma mobilização maior
por parte da comunidade no sentido de pressionar
a empresa a baixar os preços das
passagens.

DUDA PINTO/AP
Alisson Matos. Personagem do último
embarque em Livramento
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