Uma vez por ano
publico aqui alguns textos de Carlos Castañeda,
escritor e antropólogo, cujas pesquisas
sobre o xamanismo mexicano influenciaram
a maneira de minha geração
olhar, sentir, e perceber o mundo.
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Um guerreiro é um caçador.
Calcula todos os seus passos, mas uma vez
feito isso, ele age. Abandona-se à
vida, deixa-se guiar, está preparado
para sobreviver em qualquer circunstância.
Ele age como se soubesse o que está
fazendo, embora no fundo do seu coração
respeite o Mistério, e está
consciente de que não sabe absolutamente
nada.
Seu único caminho possível
é continuar agindo, sem medo e sem
interrupção, evitando que
as velhas rotinas do seu cotidiano se transformem
em barreiras para seu comportamento.
Para que tenha êxito, as conquistas
devem chegar suavemente, com muito esforço
- mas sem qualquer tensão ou obsessão.
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Nosso diálogo interno é o
maior inimigo. Estamos sempre contando para
nós mesmos como o mundo é,
e como deveria ser; para entrar em uma realidade
mágica, precisamos interromper este
diálogo, e deixar que o mundo se
mostre em toda a sua generosidade e grandeza.
Quando conseguimos parar nosso diálogo
interno, tudo é possível;
até os projetos mais loucos se tornam
viáveis. A partir daí, aceitamos
nossa sorte com humildade, porque ela é
nosso desafio vital.
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É possível desviar-se do
caminho que você traçou para
si mesmo? Sim, é possível
- se der ouvidos a todas as opiniões
que seus semelhantes tem a respeito do que
você pretende fazer. Isso é
escravidão, e não leva ao
seu sonho.
Um homem de conhecimento, porém,
liberta-se destas opiniões, e segue
em frente. Sua liberdade é cara,
mas este preço não é
impossível - portanto não
desperdice seu tempo e seu poder, com medo
das responsabilidades que um homem livre
precisa aceitar.
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Um homem de conhecimento reconhece a dor,
mas não se entrega a ela. Precisa
usar toda a sua energia para manter a alegria
em sua alma, confia em suas decisões
e no seu espírito de luta impecável.
A força deste homem consiste em ter
aceitado seu destino, e estar consciente
de que pode cumpri-lo.
Enquanto um acadêmico procura consertar
o mundo no seu escritório, mas as
cinco da tarde volta para casa e esquece
suas belas conquistas, um homem de conhecimento
- porque não tem nada a perder -
consegue seguir adiante dia e noite. Sabe
que não pode consertar tudo, mas
assim mesmo continua se dedicando a mudar
aquilo que acha errado em si. E quando fracassa,
não fica triste ou decepcionado consigo
mesmo - nisso reside sua força de
vontade.
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Um guerreiro sabe o que o espera, e sabe
também o que está esperando.
Enquanto nada acontece, ele se alegra com
a contemplação do mundo a
sua volta.
Quando chega o momento de agir, segue seu
curso como se conhecesse cada passo, e respeita
os limites de sua busca. Para conseguir
chegar onde deseja, abandona todo tipo de
expectativa. A partir daí, ele conhece
uma estranha paz. Fato de não esperar
nada faz com que possa deter-se de vez em
quando, examinar suas possibilidades, e
reconsiderar a situação em
que se encontra.
Entretanto, para poder usar este momento
de descanso com sabedoria, ele precisa aceitar
que os outros momentos de sua existência
serão sempre marcados pela necessidade
de seguir adiante.
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