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    A divulgação nos Estados Unidos do balanço do terceiro trimestre da General Motors (GM), acusando um prejuízo de líquido de US$ 2,54 bilhões, torna ainda mais alarmante a difícil situação pela qual vêm passando as montadoras americanas. As décadas de erros estratégicos, aliados aos altos recursos dispensados no pagamento de débitos trabalhistas, finalmente vieram à tona, em função da crise financeira que abalou a economia mundial.
    Na GM americana, uma das razões para a crise teria sido o investimento maciço na produção dos utilitários SUV (Sport Utility Vehicle), em detrimento da fabricação dos veículos mais leves e, por conseqüência, mais econômicos. Com a disparada do preço da gasolina, a venda dos utilitários, que vinha colhendo relativo sucesso, foi fortemente abalada e, no último mês de maio, teve cancelada a sua produção.
    A ameaça de falência das grandes montadoras americanas, cada vez mais próxima, já que, juntas, perderam US$ 28,6 bilhões, coloca em risco milhares de empregos. Por isso, é no mínimo estranha a resistência do governo dos EUA em anunciar um plano de socorro ao setor, o que vem sendo fortemente cobrado pelo Congresso americano.

    Crise no setor atinge Argentina

    Foi a GM a primeira a anunciar demissões na Argentina. No final de outubro, a montadora demitiu 435 funcionários da fábrica da Província de Santa Fé, o que corresponde a 20% dos seus empregados no país. Segundo o principal sindicato de metalúrgicos do país, o Smata, aproximadamente 10 mil trabalhadores argentinos estão sendo afetados por medidas como demissões, suspensões e férias antecipadas.
    As demissões decorrentes da crise das montadoras chegaram antes ao nosso vizinho em função de 60% da sua produção ter como destino à exportação. Desse total, 70% são vendidos ao Brasil. Por isso, a queda nas vendas de veículos em nosso país, que registrou sua primeira baixa em outubro na comparação com o mesmo mês em 2007, se refletiu diretamente no desempenho da indústria automotiva argentina.
    Também na Argentina, o setor vinha colhendo bons números durante o ano, mas já apresentou desaceleração em outubro. Na comparação com setembro, as vendas caíram 9,6%, a produção encolheu 7,7% e as exportações subiram apenas 1,2%. É um cenário preocupante para um setor que emprega muito e tem sido um dos grandes responsáveis pelo bom desempenho das economias ao redor do mundo.

    Férias coletivas na Fiat

    A Fiat Automóveis adotará, entre os dias 17 e 26 desse mês, férias coletivas em Betim (MG), que abrangerá, desta vez, cerca 3 mil empregados, segundo a montadora. Junto com a Fiat, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, dez empresas fornecedoras também farão rodízio de férias entre seus funcionários.
    Por conta do desaquecimento das vendas, a Fiat já havia concedido férias coletivas de dez dias, de 13 a 23 de outubro, para 1.700 empregados, e promoveu, no final de novembro, uma parada técnica de três dias, envolvendo aproximadamente 8.500 empregados. Com a paralisação de agora, a produção diária, que era de 3 mil carros em setembro, passará para 2.400 automóveis em outubro.

    A reação do Banco do Brasil

    Conforme previsto, o Banco do Brasil deu início às movimentações para correr atrás da primeira colocação entre as instituições financeiras do país, lugar que perdeu com o anúncio da fusão de Unibanco e Itaú. Já na última semana, avançaram as negociações para a aquisição de 49% do Banco Votorantim, operação avaliada em R$ 13 bilhões. Entre alguns executivos do BB, o negócio recebeu críticas, já que, apesar do alto valor pago, o controle do Banco Votorantim continuaria com a família Ermírio de Moraes.
    Mesmo que as negociações sobre as aquisições do Banco Votorantim, da Nossa Caixa e do Banco do Estado do Piauí se confirmem, elas não serão suficientes para devolver ao Banco do Brasil a liderança do ranking brasileiro. Isso porque, de acordo com os balanços de junho, juntas, as instituições somariam R$ 91,49 bilhões aos ativos do BB. Assim, o total do Banco do Brasil chegaria a R$ 507,99 bilhões, mas ainda ficaria abaixo dos R$ 515,84 bilhões do Itaú e Unibanco. No balanço do terceiro trimestre, a Itaú Unibanco Holding Financeira já elevou seus ativos a R$ 575 bilhões. É uma corrida difícil para o BB, que ainda disputa com o Bradesco a recuperação de posições no ranking.

     

    rigotto@germanorigotto.com.br.

     







     


     

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