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    COMO FICA O NEOLIBERALISMO?

    Desafeito aos "chavões", cumpre compreender, numa linguagem simples, o denominado neoliberalismo, como o sistema econômico que defende o Estado mínimo e a desregulação dos mercados, assim como políticas monetárias e fiscais restritivas, reduzindo a carga fiscal. A idéia filosófica subjacente é a da liberdade sem limites.

    Nesta visão é que se solidificou o momento virtuoso do capitalismo globalizado, com um fluxo financeiro extraordinário, sustentado em projetos e intangíveis distantes da economia real, mas produzindo resultados fabulosos para o sistema financeiro, até que a recente crise tenha determinado a ruptura deste ciclo econômico. Foi um período em que o capitalismo não conheceu barreiras para suas ambições, com total flexibilização nos investimentos e geração expansionista da riqueza monetária. A facilidade como vinham se estabelecendo projetos de alavancagem financeira para as novas oportunidades tinha uma lógica virtuosa para aproveitar o dinheiro que estava sobrando dos grandes aplicadores, especialmente os Fundos Internacionais. Neste contexto é que os Estados Unidos consolidaram o seu protagonismo, seus interesses estratégicos e geopolíticos no mundo. Até as Nações onde os fatores de produção são apropriados ou articulados pelo Estado se alinharam a dominação do mercado como um valor absoluto. Poucas vezes, nos últimos tempos, os fazedores de opinião colocaram oposição ao movimento de globalização. Não se estabeleceram igualmente restrições a mobilidade do capital, procurando o maior retorno possível onde ele se encontrasse, nem tampouco aos limites morais e éticos desta falta de regulamentação e de liberdade total. Este determinismo da produção e do consumo é que vem influenciando um modo de vida, que a maioria supunha, seria capaz de promover o progresso e o desenvolvimento humano, através da inclusão e da melhoria da qualidade de vida da população. O que se evidencia, pelos fatos que estamos presenciando é a total vulnerabilidade e precariedade da base filosófica neoliberal. Nos termos em que estava posta, fica demonstrado objetivamente o insucesso de vários segmentos econômicos e empreendimentos, desemprego em massa, falta de crédito para as atividades essenciais e necessidade do Estado intervir e ser propositivo para evitar a bancarrota do mercado. Tudo isto para não falar nos golpes, apropriações indevidas e indução ao erro, que são divulgados nos Estados Unidos. O núcleo do sistema, vem informando diariamente prejuízos vultosos aos investidores, aposentados e pequenos poupadores. Certo é, que não devemos tratar esta realidade como uma questão ideológica, nem tampouco nos inserir no contexto das forças que lutam pelo poder no mundo. Esta é uma guerra de argumentos muito simples, normalmente um jogo de retórica. É importante que se perceba que estamos diante do desafio de estabelecer uma nova ordem em que o capitalismo precisa ser regulado e o Estado cumpra o seu papel propositivo, com uma gestão pública adequada a complexidade dos tempos atuais. Este movimento deve ser desenvolvido com muita cooperação e fundado na democracia, valores humanos e respeito as instituições. Estas e outras questões conceituais de relevância para sociedade precisarão ser debatidas para encontrarmos os melhores caminhos.







     


     

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